
2019 não está sendo um ano bom para o encerramento de franquias. Tudo bem que Vingadores: Ultimato conseguiu conquistar a maior parte de seu público, mas Game of Thrones, X-Men: Fênix Negra e agora, Star Wars: A Ascensão Skywalker são as provas vivas que o ano não está sendo gentil com o público nerd.
Por conta disso, A Ascensão Skywalker tenta conciliar o novo e o antigo em um filme que é, na mais eufemista das colocações, seguro. Desde seus primeiros segundos, somos apresentados ao universo familiar com a volta de um personagem muito importante para a franquia – e se você viu ao menos algum dos trailers do filme, já sabe de quem eu estou falando.
Em termos de estrutura, o roteiro, assinado pelo diretor e por Chris Terrio, funciona. Os heróis são movidos por uma série de MacGuffins (em jargão cinematográfico, qualquer elemento que faça o enredo avançar e, ao mesmo tempo, não tenha importância por si próprio) em uma sequência bem-encadeada, o que garante um ritmo envolvente e possibilita que os novos personagens sejam introduzidos naturalmente.
Mas vamos ao que interessa: Rey e Kylo, os protagonistas da nova trilogia. Estes dois continuam donos dos arcos mais interessantes da atual trilogia, mas é uma pena que ganhem, desta vez, um tempo de desenvolvimento menos equilibrado. As descobertas da heroína sobre seu passado e identidade são expandidas de forma mais instigante, porém o excelente antagonista possui tempo de tela limitado para que a conclusão de seu arco, o mais emotivo e promissor da nova safra, seja suficientemente bem amarrado.
No entanto, o longa tenta “passar um pano” nas mudanças feitas na franquia, de uma forma extremamente genérica e comercial – o que deixa claro que, mais do que um filme de J.J. Abrams, esse foi um filme feito por executivos da Disney, que estavam receosos em “cutucar a ferida” e subverter as expectativas dos fãs. A partir daí, tudo ocorre do modo mais previsível possível, em direção a um final que pode ser pressentido mesmo sem a Força.
Até mesmo a aparição de personagens clássicos, como o Imperador Palpatine e Lando Calrissian, não parecem elementos favoráveis à história e à narrativa da nova trilogia. Essas "aparições de luxo" certamente vão colocar um sorriso no rosto dos fãs mais nostálgicos – mas quando paramos para pensar no quadro geral, são momentos em que a Disney vira para o público e fala: "Queria fanservice? Então toma fanservice!"
Aliás, aqui também é importante levantar um questionamento: talvez o molde de trilogias esteja completamente ultrapassado para os padrões de Star Wars. Em A Ascensão Skywalker, vemos três filmes sendo condensados em um só, apenas para criar uma conclusão que “respeite” todos os lados do fandom e não ofenda ninguém. Ao invés de ser um filme inesquecível, é um filme um tanto quanto esquecível comparado à Vingadores: Ultimato.

CRÍTICA | Star Wars IX: A Ascensão Skywalker
Reviewed by Matheus Bertolini
on
09:30
Rating:
Reviewed by Matheus Bertolini
on
09:30
Rating:




Nenhum comentário: